quarta-feira, 21 de agosto de 2024

Subarashiki Hibi: Vale a Pena?

 


Subahibi é uma visual novel do gênero Denpa, mas que não necessariamente se fixa a tal rótulo, possuindo momentos de slice of life, aventura, suspense e cenas extremamente questionáveis. Tendo aproximadamente 60 horas de "gameplay" a obra carrega consigo mensagens surpreendentemente bonitas e transformadoras. Pretendo, através deste post, analisar todos os capítulos de Wonderful Everyday, evitando ao máximo spoilers e trazendo minha opinião de forma honesta para, no final, dizer se vale ou não a pena gastar tanto tempo nessa obra.


Apesar de ser mais lógico e coeso começar a review a partir do primeiro capítulo, tomarei como início o segundo, pois foi assim que eu joguei! Sim, eu pulei o princípio da história, não por livre e espontânea vontade, mas sim pelo péssimo sistema de escolhas da visual novel (irei entrar em detalhes futuramente), mas nada foi perdido, afinal, a história só começa de fato no segundo capítulo, sendo o primeiro uma espécie de prólogo. 

Down The Rabbit Hole 2 nos introduz à primeira protagonista da história, Yuki, uma garota carismática, estilosa, engraçada e um tanto rebelde. Ela falta nas aulas para ler poesia, fuma cigarro no telhado da escola e filosofa como se não tivesse nenhuma responsabilidade (uooooou, ela é tão legal). Nesse capítulo, mais voltado para o suspense, Yuki assume o papel de detetive, investigando eventos bizarros que começam a acontecer na sua escola, como o repentino suicídio de uma garota fofinha, uma I.A que faz diversas previsões, e o surgimento de um culto macabro. De modo que tudo isso culmina na profecia de que o mundo irá acabar no dia 20 de julho.

O segundo capítulo de Subahibi é um dos meus favoritos da obra, sendo a forma perfeita de se começar uma visual novel, prendendo o leitor e fazendo com que ele realmente tenha vontade de continuar lendo. Os acontecimentos escalam de forma gradual em um ritmo agradável, não sendo maçante em nenhum momento, de modo que todo o suspense se forme de maneira imersiva, te deixando apreensivo (porra, eu tomei susto em um jogo de texto) e curioso para saber o que vai acontecer a cada dia que se passa. A Yuki, em si, é um personagem ótimo, demonstando alta inteligência, sem parecer forçada ou presunçosa, além de possuir carisma. Isso faz com que os diálogos, desde os mais simples e bobinhos até os mais complexos, densos e filosóficos, sejam extremamente cativantes e divertidos de ler. Ela investiga o mistério de forma realista e encara fenômenos sobrenaturais com ceticismo, o que agrega uma grande ambiguidade fantástica ao capítulo. 

Nota: 10/10.


Terceiro capítulo, o famoso "It's my Own Invention". Agora seguimos a história pelos olhos de Mamiya Takuji: um otaku perdedor que sofre bullying desde a sua infância e passa o dia inteiro batendo punheta no seu esconderijo secreto. Os mesmos acontecimentos do capítulo anterior se repetem, mas agora sob uma perspectiva completamente diferente. Acompanhamos a completa transformação de Takuji, que através de alucinações, delírios e surtos psicóticos tem o seu estado mental completamente comprometido, indo de um simples garoto perdedor até um ultra chad sigma based líder de culto profeta e responsável por todos os crimes que acontecem na escola. 

Através de cenas nauseantes, flashs psicodélicos, muito gore e diversas cenas pesadas o terceiro capítulo realmente te coloca na perspectiva do Takuji, fazendo com que você entenda a forma de pensar do personagem e seus propósitos. Nesse ponto a visual novel sofre um salto drástico em relação ao capítulo anterior, mostrando o motivo de ser um Denpa Eroge. O que até então era uma simples história de mistério e suspense se torna um terror pornográfico psicodélico e doentio, torturando o leitor através de cenas nada agradáveis, mas que certamente te fazem sentir na pele do protagonista. 

"It's my Own Invention" contém 1/3 do enredo de Subahibi e é para muitos o melhor capítulo. No entanto, para mim, esse trecho representa o pior ponto da obra, a ponto de eu diversas vezes ter cogitado dropar a visual novel. Acontece que a imensa maioria das cenas sexuais é extremamente longa, detalhada e, principalmente, DESNECESSÁRIA, não apresentando relevância alguma ao enredo da obra e servindo apenas para o autor inserir seus fetiches de forma completamente estranha e questionável. Sim, obviamente tais cenas possuem o papel de causar repulsa e fazer com que você entenda a mente doentia do Takuji, porém, o excesso não é justificável. Existem diversas outras formas de cumprir esse objetivo sem forçar o leitor a ler um pornô fetichista a cada 15 minutos. O único ponto que realmente "salva" esse capítulo é o desenvolvimento do Takuji, sendo bastante divertido acompanhar o modo que ele cada vez mais se afunda nas suas próprias desilusões e insanidade. 

Nota: 4/10


No quarto capítulo, "Looking Glass Insects", seguimos dessa vez a perspectiva de Zakuro Takashima, uma colegial aparentemente feliz e tranquila, mas que se revela completamente solitária e melâncolica. Ela é a "garota fofinha" que eu mencionei ter se suicidado no capítulo 2. Esse episódio se desvia levemente da ordem cronológica dos capítulos anteriores. Enquanto "Down The Rabbit Hole 2" e "It's My Own Invention" começam próximos à data do suicídio de Zakuro, Looking Glass Insects da maior enfoque ao passado, mostrando a história da garota, seu relacionamento com os outros personagens até então apresentados e os motivos que levaram ela a cometer seu triste ato final. 

Apesar de sua brevidade, o quarto capítulo é, de longe, o que possui o enredo mais impactante, possuindo cenas pesadas de estupro, abuso e violência. Ele busca retratar de forma meticulosa e imersiva o bullying que Zakuro sofria, bem como a forma que toda essa violência molda sua personalidade e visão de mundo. Mesmo sendo um capítulo com poucas cenas repugnantes (quando comparado ao episódio anterior), "Looking Glass Insects" cumpre muito bem o papel de te jogar no fundo do poço, fazendo com que o leitor se sinta na pele da Zakuro e desenvolva grande empatia por ela. O principal ponto negativo desse capítulo é sua falta de contribuição para o mistério como um todo. Terminamos o capítulo anterior com mais dúvidas do que respostas, e "Looking Glass Insects", apesar de fornecer uma perspectiva incrível sobre certos personagens, não agrega muito à obra como um todo, sendo facilmente descartável e possuindo muito mais valor emocional do que narrativo. 

Nota: 7/10 


No quinto capítulo, "Jabberwocky I", é introduzido um novo protagonista completamente inesperado. Afinal, a história começa a ser narrada a partir da perspectiva de Yuuki Tomosane, o principal bully de Takuji, que, quando comparado com outros personagens, não teve tanto tempo de tela assim. Após dois capítulos relativamente medianos, a visual novel sofre uma grande reviravolta e ganha um novo patamar, adotando uma perspectiva completamente diferente, que além de esclarecer muitas teorias acaba revisando diversas interações entre personagens anteriores de maneira nova e interessante. Para quem curte plottwist sapoha é um prato cheio. 

Em uma espécie de antítese com o terceiro capítulo, "Jabberwocky I", é o episódio mais pé no chão e humano da obra, sendo muito mais focado no desenvolvimento dos personagens do que na trama em si. É a partir dele que Subahibi passa de uma experiência simplesmente "interessante" para algo especial e distinto de qualquer coisa que já li. A jornada de autodescoberta de Tomosane é marcante. As cenas de slice-of-life são agradáveis, aconchegantes, engraçadas e, a princípio bobinhas, mas carregam um imenso valor emocional para momentos futuros da obra. Os momentos mais leves e os de tensão permanecem em perfeito equilíbrio ao longo do percurso, permitindo ao leitor apreciar ambas esferas sem que ache o capítulo maçante ou prolongado.

Nota: 10/10


Novo capítulo, novo protagonista, acho que vocês já pegaram a ideia. Em "Which Dreamed It" acompanhamos Mamiya Hazaki, a irmãzinha mais nova do Takuji, uma garota alegre, inocente e completamente diferente do seu irmão falho. Hazaki é um personagem bastante presente na história, mas essa é a primeira vez que a cito nessa review, pois estou fazendo questão de analisar os capítulos sem fornecer muitas informações a respeito da história. 

Em minha concepção "Which Dreamed It" não deveria ser um capítulo próprio, mas sim uma continuação direta do capítulo anterior. Não vejo muito sentido na Hazaki como protagonista, pois, desde então, a troca de perspectiva de cada capítulo serviu para que o leitor possa entender com profundidade personagens que não tiveram completo enfoque. Porém, isso não aplica à Hazaki, visto que no capítulo anterior, apesar de ser pela perspectiva do Tomosane, já possui grande foco na garota, fornecendo noção e conhecimento mais do que suficiente de como a Hazaki atua e pensa, de modo que um capítulo inteiro sobre ela se torne repetitivo, maçante e desnecessário. 
 
Nota: 6/10


Em "Jabberwocky II", o último capítulo da jornada, voltamos à perspectiva de Yuuki Tomosane (goat), para encerrar a história de uma vez. Seguindo uma ordem cronológica completamente diferente de tudo que foi apresentado até agora o episódio aborda um passado extremamente distante e já esquecido pelos personagens, respondendo todas as dúvidas restantes, intensificando mais ainda a relação do leitor com os protagonistas e agravando a mensagem da obra de forma marcante e bela. 

"Jabberwocky II" realmente faz valer a pena todos os pontos negativos, cenas perturbadoras e momentos chatos até então citados, sendo um final simplesmente perfeito em todos os seus sentidos. É difícil dar detalhes sobre esse capítulo sem estregar a possível experiência de um de vocês, portanto, vou me abster de comentários. 

Nota: 10/10


No início dessa review eu disse que começaria pelo segundo capítulo e apenas iria comentar sobre o primeiro futuramente. Bem, esse é o momento. "Down the Rabbit Hole I" é o primeiro capítulo da obra, mas sinceramente, eu fico bem feliz por ter dado a sorte de pular ele. Afinal, tal momento inicial se demonstra mais como uma história alternativa e opcional do que algo essencial para a compreensão da história principal. A partir da perspectiva de Yuki a obra se desenrola em um slice-of-life completamente confuso em seus acontecimentos, possuindo diálogos carregados e parcialmente incompreensíveis, mesmo após jogar a visual novel por completo. "Down The Rabbit Hole I" serve mais como um prólogo do que como um início de fato, afinal, tudo que é apresentado nesse capítulo é "esquecido" pela protagonista logo no início do capítulo seguinte. 

Nota: 5/10 


Tendo terminado meus comentários sobre todos os capítulos (exceto sobre os 3 finais, por motivos óbvios), gostaria de ressaltar pontos exteriores à narrativa como um geral, como a Música, o Design dos personagens e o sistema de escolhas.

  • Música: A trilha sonora é de grande qualidade, encaixando perfeitamente em cada momento pretendido, causando suspense, tranquilidade e euforia. Porém, a sua quantidade é limitada, contando com apenas 40 OST para quase 60 horas de VN. Talvez eu que esteja mal acostumado, pois a última visual novel que li constava com mais de 200 OST, mas em minha opinião a quantidade limitada faz com que as músicas se tornem repetitivas, apesar de icônicas. 
  • Design: A arte é muito bonita, o que já deve estar claro através do tanto de CGs que eu inseri aqui. O design dos personagens é único e cativante, de modo que a vestimenta, postura e expressão de cada um seja completamente condizente com a personalidade, dando mais vida à obra. 
  • Sistema de escolhas: O maior pé no saco que tive enquanto jogava essa visual novel. Todo capítulo apresenta finais alternativos que variam em quantidade, alguns capítulos possuem múltiplos finais, outros só um. Porém, para prosseguir de um capítulo para o outro você necessariamente precisa ter visto o final verdadeiro do capítulo anterior, não um final alternativo. Não tenho problema nenhum com os finais alternativos, todos são bons, alguns até melhores que os finais verdadeiros. O problema é que todas as escolhas por trás deles são igualmente imbecis. Quando uma escolha surge na tela é muito difícil você saber qual delas irá te direcionar para o final verdadeiro e qual irá te jogar para o final alternativo, pois a maioria das escolhas são bestas. Exemplo:
    No início da visual novel a Yuki está em um trem indo para o centro da cidade comprar um CD, nesse momento uma escolha aparece na tela: 
1- Ir comprar o CD
2- Dar uma voltinha
    Se você escolhe a opção 1 (que eu escolhi), você LITERALMENTE pula o capítulo 1 inteiro. Isso mesmo, você é direcionado para o capítulo 2 e pau na sua bunda. Ou seja, ou você joga Subahibi com uma cola de todas as escolhas na tela ou joga todos os finais de uma só vez. 


Eu falei, falei, falei, mas ainda não respondi a pergunta principal: Subahibi vale a pena? Resposta curta: sim, leia Subahibi NOW
Resposta longa: Wonderful Everyday não é uma visual novel para qualquer um, não digo isso no mesmo sentido que os cults do twitter. Afinal, apesar dessa obra possuir uma grande bagagem filosófica e fazer referência à diversas obras literárias clássicas, o seu entendimento ainda é relativamente simples e a mensagem principal não é nenhum monstro de 20 cabeças, pelo contrário. Digo que Subahibi não é para qualquer um pois é necessário uma certa ""dedicação"" para aproveitar a obra, precisando aturar muitos momentos ruins e amargos (cof cof capítulo 3 e 4). Eu que sou uma pessoa consideravelmente "resistente" a esse tipo de conteúdo me senti mal fisicamente e exausto ao longo de diversas cenas, portanto, obviamente muitas pessoas vão repudiar a visual novel por esse mesmo motivo. Porém, garanto que retirando esses momentos ruins o resto da VN é completamente proveitoso, sendo uma das melhores coisas que já li. Sobre o tamanho da obra, não acho que isso seja um problema, afinal ninguém é obrigado a ler tudo de uma só vez, eu mesmo demorei uns 3 meses para terminar. Ela ser grande é mais um benefício do que um malefício. Você não entra em uma festa ansioso para ela acabar, ou chega em casa sexta feira ansioso para o domingo chegar logo, você simplesmente aproveita a jornada e pronto. Enfim, caso você tenha se interessado pelo conteúdo abordado nessa review meia boca leia Subahibi, pois tudo o que eu abordei aqui é o básico do básico e não chega nem perto de representar a VN como um todo.  Ao longo da "análise" abordei apenas o extremo essencial e omiti muitos personagens, cenas incríveis e acontecimentos épicos para preservar a experiência de quem tiver afim de jogar, então não tenha medo e seja feliz. 

Nota final: 10/10


Se você chegou até aqui provavelmente é a minha namorada (te amo), algum amigo meu, ou se interessou minimamente pela visual novel. De toda forma, muito obrigado por gastar seu tempo. Eu nunca tive o hábito de escrever e sempre gostei de expressar minha opinião sobre as groselhas que consumo, então uni o útil ao agradável e criei esse blog. Não sei se vou seguir com a ideia e tenho noção de que isso está repleto de erros gramaticais, mas me diverti bastante escrevendo tudo isso, então fodaa-se.

Mais uma vez, obrigado.







































2 comentários:

  1. simplismente uma das melhores reviews de subahibi que eu ja vi KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

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